Como fazer um bom planejamento de aposentadoria?

Uma aposentadoria agradável significa ter uma boa renda e tranquilidade para poder aproveitar a vida, colhendo os frutos daquilo que plantamos ao longo de uma carreira de trabalho. No entanto, o caminho para alcançar este objetivo muitas vezes é tortuoso devido a falta de um planejamento de aposentadoria. Uma fase que deveria ser rica em experiências pode se tornar um ciclo de frustração e ansiedade.

Neste artigo, vou falar dos sete pilares fundamentais para você garantir um planejamento de aposentadoria adequado e ter uma vida futura mais tranquila.

1. Contribua com a previdência social

É necessário ter consciência de que a previdência social, seja em regime próprio ou geral, é uma estratégia importante dentro do planejamento de aposentadoria, principalmente para quem está começando um processo de formação de reservas financeiras.

Não apenas a renda que você terá na aposentadoria será importante, mas também deve-se levar em consideração outros fatores, como uma renda que pode ser necessária em caso de desemprego, maternidade, doenças ou invalidez.

Portanto, existem alguns elementos fundamentais do seguro social que considero importante a contribuição, mesmo que seja o pagamento mínimo.

2. Tenha uma carteira de investimentos

O segundo pilar, também bastante tradicional, é contar com os investimentos. A carteira de investimentos é a construção tradicional para complementar a renda insuficiente que o INSS vai nos proporcionar no futuro. Dessa forma, o planejamento de aposentadoria vai envolver uma contribuição para previdência social e um complemento à esta contribuição com o seu esforço pessoal, por meio dos investimentos.

A montagem desta carteira deve envolver boas escolhas. Portanto, estude com muito cuidado os seus investimentos. Às vezes, uma diferença de 1% ao ano na rentabilidade pode parecer pouco no primeiro ano, mas ao longo de 25 anos é uma diferença que pode dobrar o seu capital.

3. Avalie seu estilo de vida

Além dos investimentos, devemos considerar uma mudança no estilo de vida. Ao se deslocar 60 quilômetros de onde vive atualmente, não seria possível viver com uma qualidade de vida melhor e talvez um custo de vida 30% menor? Mesmo que esteja um pouco longe de filhos, netos e pessoas queridas, é algo a ser considerado.

Ser rico não é apenas quem tem mais, mas principalmente quem precisa menos. Se você necessitar de menos no futuro, terá uma situação mais tranquila em termos de aproveitamento do seu patrimônio e da pressão para construí-lo.

É necessário entender que a vida permite ajustes quando percebemos que não estamos fadados a morar para sempre onde vivemos atualmente. Você pode encontrar situações que proporcionam uma qualidade de vida muito mais interessante, às vezes em uma distância não muito grande de onde você vive.

4. Tenha benefícios financeiros com seu imóvel

A estratégia de usar a sua moradia como parte da sua previdência talvez sofra uma certa resistência no Brasil, mas em outros países já está muito mais bem equacionada, até em termos legais.

Resistir à ideia de se desfazer de um imóvel pode ser um grande erro em seu planejamento. É muito comum as pessoas perceberem que construíram pouca reserva financeira para a aposentadoria. Problemas pessoais, questões de saúde, imprevistos, educação dos filhos, enfim, alguns eventos ocorreram durante a vida, e a única coisa restante como patrimônio é o imóvel.

Usando o ponto anterior citado (rever o seu estilo de vida), talvez você possa considerar a venda desse imóvel. Uma opção é comprar uma propriedade muito menor e converter o valor da venda em uma carteira de dividendos e, assim, com o rendimento da sua carteira bancar seu estilo de vida. Ou então optar por um plano de hipoteca reversa — quando você cede seu imóvel para uma instituição e recebe um valor, seja este integral ou em parcelas, com a condição de que o imóvel será de posse desta instituição quando você morrer.

5. Contratação de seguros

A proteção é pilar fundamental para uma boa aposentadoria. Se começarmos tardiamente a construção do patrimônio e percebemos que não temos condições de garantir algo para a família caso algum imprevisto aconteça, talvez até um passo antes dos investimentos seja você negociar um seguro de vida.

Se por alguma razão você vier a falecer ou ficar inválido nos próximos anos, que tipo de proteção sua família precisa? Por isso é importante contratar o seguro de vida e, ao contrário do que muita gente pensa, você não irá aumentar a proteção à medida que você aumenta a sua renda.

Conforme seu patrimônio cresce, você terá mais condições de manter o padrão de vida da família e assim diminuirá a cobertura necessária em apólices de seguros.

6. Repense o trabalho

Outro ponto importante a destacar é o trabalho. Falamos do planejamento de aposentadoria para encarar uma situação na qual desejamos parar de trabalhar. Se você deseja fortemente parar de trabalhar, talvez esse seja um sinal que você esteja fora do equilíbrio ideal.

Você provavelmente está insatisfeito com a sua carreira, mas encara este sacrifício para proporcionar o conforto para sua família. Como esse sacrifício está te fazendo mal, você não vê a hora de acabar com isso ao se aposentar.

Por outro lado, quando vier a aposentadoria, você pode sentir uma sensação bem desconfortável. Afinal, após décadas em uma rotina de trabalho, sendo produtivo e recebendo seu reconhecimento, de repente você se vê em um vácuo, onde não tem mais rotinas e obrigações para cumprir. Essa sensação tende a levar para uma crise de depressão ou ansiedade.

Seria muito mais interessante começar a se preparar com alguns anos de antecedência para uma outra atividade. Pode não ser tão rentável quanto aquela carreira que você desenvolveu por anos, mas proporcionará algum rendimento e prazer.

Lembre-se de que, ao encerrar formalmente essa carreira, ao dar entrada no INSS e começar a receber o benefício, você está aposentado, mas não proibido de gerar renda.

7. Organize-se

Não adiantará nada ter uma boa carteira de investimentos, contribuir regularmente ao INSS, contratar um bom seguro e, de repente, em um momento de uma fatalidade, não conseguir se comunicar com a família para uma tomada de decisão. É muito frequente que decisões erradas sejam tomadas nestas situações, desconstruindo o que estava sendo planejado corretamente.

O principal motivo é a falta de organização. Seja com orientações sobre qual advogado conversar, qual companhia de seguros acionar, qual estratégia está sendo tratada com o assessor de investimento, etc. É importante que todo esse controle seja apresentado à família de uma forma clara e organizada.

Live: 7 passos para planejar sua aposentadoria

https://youtube.com/watch?v=VJbbfEERpoU%3Ffeature%3Doembed

Conclusão

É válida a ideia de juntar um bom dinheiro e viver dele. No entanto, acredito ser mais interessante levar uma vida equilibrada, cuidar da sua capacidade produtiva e ajustar seus planos de maneira otimista à ideia de que você irá trabalhar por muito mais tempo do que a maioria das pessoas espera trabalhar.

Tenha menos pressa para se aposentar e mais pressa para identificar o que é importante para você. Ajuste o seu orçamento para gastar mais com o que lhe faz bem, simplificando sua vida financeira, talvez até comprando uma casa mais longe da cidade.

Gaste melhor, organize-se, poupe o suficiente ou até menos, mas qualifique-se para ser uma pessoa melhor que irá ter prazer em sua atividade profissional e surpreender aos outros com uma capacidade de entrega maior.

Fonte: btgpactualdigital


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